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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Belo Monte - capitulo 6: mudando rumos

A sociedade começa a responder


Lentamente a sociedade brasileira começa se manifestar. A grande midia que até o ano passado se mostava amplamente favorável ao projeto, começa uma onda de questionamentos, desmentindo as verdades oficiais. Só para citarmos alguns: o jornal Estado de São Paulo em editorial e a jornalista Miriam Leitão, da Rede Globo. Por outro lado a OAB se juntou ao Ministério Público, se manifestando a favor da paralisação das obras. A Justiça Federal concedeu prazo de 72 horas para as partes se manifestarem.


Em Brasília um novo protesto foi organizado, com forte presença de lideranças indígenas, e representantes de ONGs ligadas a movimentos ambientais. 

 André Dusek/AE

O abaixo-assinado organizado pela organização internacional Avaaz, reuniu 500.000 assinaturas de internautas contrários ao projeto.


Muito bem, mas o que é mais interessante neste processo é que pouco a pouco começam a aparecer vozes que falam em debate, e questionam que país queremos construir neste momento. O que eu chamo de identidade Brasil. Mais uma vez o programa Entre Aspas, da Globo News tratou do tema, trazendo posições antagônicas. 

A questão não é simples, o Brasil mantendo este ritmo de crescimento tem que gerar, segundo especialistas, 5.000 MW/ano de energia a mais. Ou seja, uma Belo Monte por ano. Como alcançar este equilíbrio?  Esta pergunta começa a ser feita. 


Por outro lado, Belo Monte é um símbolo, mas certamente não é a única usina a causar impacto ambiental, e prováveis mudanças no regime de chuvas, na região Amazônica e do Cerrado. Ninguém fala por exemplo das PCHs, que estão sendo construídas por todos os rios do país, represando inúmeras quedas d´agua. Ainda não é moda falar disso. Mas é uma realidade que causa impactos tanto ambientais, como sociais no interior, por exemplo, de Goiás. Mas este tema fica para o próximo capítulo..


Não seria o caso de se perguntar também, quem são os grandes grupos interessados neste projeto? 


  • Quem são os fornecedores e empreiteiras contratadas?


A Alstom assinou um contrato no valor aproximado de 1,1 bilhão de reais com a Norte Energia do Brasil para o fornecimento de equipamentos de energia para a usina de Belo Monte, terceira maior hidrelétrica do mundo, com uma capacidade planejada de 11.230 MW, projeto localizado no rio Xingu, no estado do Pará, região Norte.
A Alstom é líder de um consórcio formado pela alemã Voith e a austríaca Andritz para fornecimento de 14 conjuntos turbina-gerador Francis de 611 MW e seis conjuntos turbina-gerador Bulbo. A Alstom fornecerá sete conjuntos turbina-gerador Francis, equipamentos hidromecânicos, barramentos blindados e subestações associadas isoladas a gás (GIS) para as dezoito unidades geradoras da usina...Leia mais

  • Qual será o destino da energia gerada?
  • Qual o interesse internacional em relação a Belo Monte. Por que protestos em Nova York?!! 
Saiba mais

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A necessidade de pertencer

Assistindo o programa, Cidades e Soluçoes, da Globo News, sobre a rede de solidariedade que se criou após a tragédia na serra do Rio, me pus a pensar sobre uma pergunta feita pelo apresentador Eduardo Grillo sobre o que teria motivado o brasileiro a se mobilizar tão fortemente para realizar um trabalho voluntário de ajuda, uma  vez que o trabalho voluntário não é uma tradição do povo brasileiro. 
Taxista Sao Gonçalo transportam donativos - Andre Redlich

Parei então para pensar se concoradava com este ponto de vista. É verdade que se pensarmos em trabalho voluntário nos moldes da sociedade americana, onde ele é quase socialmente obrigatório, pelo menos em doação financeira, o Brasil não tem a mesma tradição. Meus superficiais conhecimentos de sociologia me fazem pensar em Max Weber, e seu clássico a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.


Se há, como há, um “marketing do bem” que promove a solidariedade social,
devemos admitir que a solidariedade se tornou um valor de mercado e um
valor para o mercado. Logo, estamos diante de uma “solidariedade de
mercado”, uma solidariedade que não é bem um sentimento interior, mas uma
imagem de solidariedade. É uma imagem que ganha vida própria e que vai se
associar a outras imagens para valorizá-las - imagens de empresas, de marcas,
de governos, de governantes, de personalidades públicas. A solidariedade,
assim posta, como imagem autônoma e como imagem que reforça outras
imagens, existe no mercado não como um fim que se basta, um fim
desinteressado, mas como um argumento para o consumo [...]. Portanto, esse
tipo mercadológico de solidariedade, [...] “agrega valor” a produtos, marcas,
empresas, pessoas e governos. A solidariedade assim posta, mais que um
valor ético, é um fator de lucro [...] É necessariamente, uma solidariedade
exibicionista (BUCCI, 2004, p. 182).

Com relação a esse exibicionismo, pode-se tomar as considerações de Max
Weber a respeito do americanismo, da ética protestante e do espírito do capitalismo. O
autor comenta o caráter utilitarista das atitudes morais de Benjamin Franklin ao
defender que a honestidade, a laboriosidade ou a pontualidade são úteis porque
asseguram o crédito, razão pela qual são virtudes. Daí Weber depreende que a aparência
de honestidade bastaria quando fizesse o mesmo efeito que a honestidade em si, e isto
fica claro quando Franklin, em sua autobiografia, discute o valor da estrita manutenção
da aparência da modéstia e da depreciação assídua dos próprios méritos com a
finalidade de obter, posteriormente, reconhecimento geral. (WEBER, 1996, p. 32)

Leia a íntegra

Mas este caso não se aplica ao que estamos assistindo em relação a tragédia da região serrana do Rio. Qualquer um, mesmo sem estar fisicamente lá, pode sentir que há um espírito real de solidariedade, e mais do que isso compaixão. E isto é uma tradição católica, no que há de melhor da sua filosofia. Podemos observar em outros eventos da América Católica, como no caso dos mineiros no Chile, que tanto emocionou o mundo. 

O brasileiro de modo geral, especialmente aqueles menos favorecidos, é solidário, sim. E age não pela razão, mas pela emoção. O que não existe no Brasil é uma rede social organizada neste sentido. No meu ponto de vista, por conta das nossas elites, que até muito pouco tempo se mostraram indiferentes, e pior, muitas vezes usaram tragédias como forma de preservação de poder e corrupção, como no caso da seca no nordeste. Isto, sim, nos difere de países protestantes, como os EUA. (Ou não, veja New Orleans).E também acho que é esta mentalidade que está se transformando no Brasil, processo que começou com iniciativas emblemáticas como foi o Fome Zero, do sociólogo Betinho de Souza, a Pastoral da Criança, da Dra Zilda Arns ou a Comunidade Solidária, de Ruth Cardoso. A partir daí, pelo que sei,  o Brasil está se tornando uma referência mundial no que diz respeito ao terceiro setor, com ampla mobilização das elites no que se convencionou chamar Responsabilidade Social.

Betinho


Mas será que só isto explica o que se vê no Rio?
Acho que não. Me vem na cabeça um outro conceito: o de pertencimento

"A sensação de pertencimento significa que precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar e ao mesmo tempo sentir que esse tal lugar nos pertence, e que assim acreditamos que podemos interferir e, mais do que tudo, que vale a pena interferir na rotina e nos rumos desse tal lugar."


“Em todos os lugares, cada vez mais, as pessoas sentem a
necessidade de crer e de se inserir em locais de pertencimento. Assim, à
medida que cresce o global, também se amplia o sentimento do local’. (...)
‘As razões desse paradoxo são múltiplas, entre as quais mencionemos a
seguinte: a globalização, sinônimo de mercantilização do mundo, introduz
localmente um tipo de incerteza e de vertigem na mente humana. Uma das
maneiras de reagir a isso consiste na busca da certeza de que somente a
proximidade pode garantir, até certo ponto, o sentimento de pertencer.”
(Zaoual, 2003: 21) 
 
Desta forma vemos os Moto-clubes, os radio-amadores, a Cruz Vermelha, o Facebook, o condomínio. A sua rede. A que voce pertence, agindo, interferindo, ajudando, transformando a realidade.
É uma hipótese, e certamente é assunto para muita discussão.


Leia o trabalho de Joanildo A. Burity
IDENTIDADE E MÚLTIPLO PERTENCIMENTO NAS PRÁTICAS ASSOCIATIVAS LOCAIS

Ou será que quem tem razão há muito tempo é o Quiroga e a busca pelo bem comum já está escrita nas estrelas, é inevitável.


21/01/2011
AR DE ATRASO.
Data Estelar: Sol ingressa no signo de Aquário; Lua ainda é Cheia em Leão.
Todas as sociedades que se destacam e merecem ser chamadas de civilizadas respeitam o bem comum. Esse respeito é exemplo vivo demonstrado pelos governos e leis promulgadas, assim como também pela maneira criteriosa com que o dinheiro dos impostos é utilizado. Com o exemplo vindo de cima, as pessoas comuns praticam o mesmo. Evidentemente, haverá essas ou aquelas que continuarão com suas práticas egoístas, atentando contra o bem comum, mas serão de escasso número. Enquanto isso, nas sociedades em que os governos, leis e exemplo dos que ocupam cargos importantes não demonstram o respeito pelo bem comum, raras serão também as pessoas que se ocuparão com isso e a sociedade como um todo transpirará ar de atraso.


Agora, como a sociedade vai se comportar nos próximos meses, passado o impacto inicial é a grande questão. Como está o Morro do Bumba, você sabe?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A crise da Grécia, o que a gente tem a ver com isso?

Vivendo, vendo e aprendendo

A Grécia é um país lindo. Azul, branco, multicolor. O grego é um povo apaixonante e apaixonado. Berço da democracia. Há alguns milhares de anos vivem ali, cultivando suas oliveiras, discutindo nas praças, contemplando aquela imensidão azul que os cerca.


Peloponeso, visto por M.Lima

Há poucos anos, na entrada do século 21, tomou uma decisão estratégica: abandonou sua moeda a dracma que circulava há mais de 2000 anos e adotou o euro, a moeda da Europa Unida.

O processo de integração econômica trouxe um período de muita prosperidade.


Camponeses que viviam em pequenas cidades passaram a produzir para todo mercado europeu, o azeite grego se globalizou. O padrão de vida melhorou: a compra do primeiro carro ou a troca por um modelo último tipo. A mudança dos padrões de consumo, a reforma da casa. Os filhos foram estudar em outros países, porque todos passaram a ser cidadãos europeus. 
O turismo cresceu, mais hotéis, empregos, restaurantes, dinheiro em caixa.

Os investimentos diretos dos países mais ricos como a Alemanha, a expansão do setor de serviços e financeiro. O pequeno agricultor acredita no futuro, e se endivida para crescer. Por outro lado, as pequenas industrias locais são compradas e o setor de bens de consumo é absorvida pelas grandes multinacionais. O Estado arrecada mais e gasta mais. Os salários e aposentadorias aumentam de valor. E puff, vem a crise americana. O ritmo de crescimento mundial desacelera. A abundancia de capitais termina. Sufoco mundial.

Os bancos centrais injetam trilhões de dolares ou euros no mercado para evitar a depressão. Passado o susto, vem a conta. E infelizmente a Grécia não tem como pagar a fatura. Gasta todo mês mais do que arrecada. Não tem dinheiro em caixa. Não tem por onde aumentar a sua receita. Sem ajuda, quebra. A Alemanha e cia emprestam o dinheiro para que o desastre maior, que seria o contagio para outros países não aconteça. O preço? Na economia, parem de gastar o que vocês não tem, cortem salários e despesas. E arrecadem mais, aumentem os impostos. O famoso ajuste fiscal.
Na política, ou geopolítica? Vamos aguardar...
E o que é que o Brasil tem a ver com isso? Dizem os especialistas, podemos sofrer com um novo periodo de insegurança no mercado de capitais o que diminuiria o fluxo de investimentos estrangeiros diretos e indiretos no país. Ora, mas o empréstimo já foi dado e as bolsas voltaram a subir. Então o perigo já passou!
Será que era este o único perigo? E será que não a uma outra lição para aprender com o destino dos mais velhos?



Outras opinões

... O analista estima que o risco sistêmico foi debelado na Europa. Mas, ressalva ele, os governos, de modo geral, se endividaram muito a partir da crise financeira de 2008 e 2009 e vão ter de arcar com este endividamento nos curto, médio e longo prazos. Ele observa que todas as regiões no mundo sofreram dilapidação das contas fiscais. "Isto inclui o Brasil, que foi um dos países privilegiados durante a crise, mas que também teve suas contas extremamente deterioradas. Então acredito que todas as regiões do mundo, incluindo Japão, Europa, Estados Unidos e países emergentes terão de rever suas políticas fiscais no decorrer dos próximos anos ou vão enfrentar problemas graves no rolar dos seus endividamentos", disse Danny Rapport, no Estadão 

E você o que pensa?







sábado, 1 de maio de 2010

Que país será este?

Eleições, que caminho queremos para o Brasil?

O assunto preferido na cobertura das eleições está sempre ligado à economia. A pergunta dominante é qual candidato é mais competente para que o Brasil continue crescendo, e a discussão reinante há anos é que partido foi responsável pelo boom econômico do país:
tem o time do FHC, e o timão do Lula.

Ora, com um pouco de sensatez não fica difícil reconhecer os méritos que os dois governos tiveram neste processo. E também deixando a ingenuidade de lado sabemos que muito deste crescimento se deve às transformações que a geopolitica mundial está sofrendo. Na minha visão a grande questão desta eleição não passa pela economia, independente do candidato que vença a macroeconomia não sofrerá grandes mudanças. O que está em jogo sim é a identidade do país. A cara que o Brasil quer ter e que país queremos deixar para as próximas gerações.

Desenvolvimento sim, mas a que custo? Conservando ou destruindo a natureza. Se preocupando com industria nacional ou continuando a vender para os estrangeiros. Exportar ou cuidar do consumo interno. Privatizar ou investir com recursos públicos.

E o Estado? Vamos continuar com esta tendência de estado paternalista, que está começando a se meter em questões privadas, ou somos um país que preza a liberdade.

Queremos ser uma potência mundial ou isto não faz parte da nossa índole?

Queremos simplesmente copiar o modelo dos países ricos ou será que estamos destinados a criar o novo?

Acho que está na hora de começarmos a pensar com cabeça própria.